Pampatherium gigante
(Pampatherium humboldtii)
Paleoartes:
- AVPHAnimação
Introdução
O Pampatherium gigante (Pampatherium humboldtii) foi um mamífero de grande porte que habitou a América do Sul durante o Pleistoceno, sendo um dos representantes mais notáveis da megafauna sul-americana. O gênero Pampatherium pertencia à ordem Cingulata e viveu nas Américas durante o Pleistoceno, com algumas espécies sobrevivendo até a transição para o Holoceno. Popularmente conhecido como "tatu-gigante pré-histórico" ou "pampatério", o animal assemelhava-se a uma versão muito ampliada dos tatus atuais, ocupando o nicho ecológico de herbívoro de médio a grande porte nos campos e savanas da América do Sul. Pampatherium humboldtii e P. typum viveram na América do Sul, principalmente no Brasil, durante o Pleistoceno, sendo P. humboldtii a espécie com sobrevivência mais prolongada, chegando ao Pleistoceno tardio.
Etimologia
O nome do gênero Pampatherium é formado pela combinação de "Pampa", referência às Pampas sul-americanas, com o termo grego therion, que significa "besta" ou "animal selvagem". Assim, o nome do gênero pode ser traduzido livremente como "animal das Pampas", em alusão à região geográfica onde muitos dos fósseis foram encontrados. O epíteto específico humboldtii é uma homenagem ao naturalista e explorador prussiano Alexander von Humboldt (1769-1859), um dos maiores cientistas e viajantes naturalistas de seu tempo, cujas extensas expedições pela América do Sul influenciaram profundamente a ciência naturais do século XIX. Peter Wilhelm Lund foi o primeiro a descrever o gênero, inicialmente sob o nome Chlamytherium em 1839 e depois como Chlamydotherium em 1841, sendo o gênero Pampatherium erigido por Florentino Ameghino em 1875.
Descrição
Pampatherium assemelhava-se a um tatu muito grande, especialmente na forma do crânio, no focinho longo e na presença de três regiões distintas na carapaça: bandas móveis centrais, escudo escapular e escudo pélvico. Entre os traços que o distinguem dos tatus estão os dentes posteriores, que são bilobados em vez de simples e cilíndricos como nos tatus atuais. Os pampatérios são caracterizados ainda por mandíbulas robustas e altas, fórmula dentária de 9/9, dentes anteriores ovais ou elípticos e falanges dos pés com garras curtas. Os osteodermos que compõem a carapaça formam escudos cefálico, escapular, pélvico e caudal, com os escudos imóveis compostos por osteodermos hexa ou pentagonais e três faixas de osteodermos móveis quadrilaterais.
Pampatherium humboldtii podia pesar até 209,5 kg. Não há estimativas formalmente publicadas para comprimento e altura baseadas em esqueletos completos, mas com base nas proporções gerais do grupo e nas dimensões dos ossos conhecidos, pesquisadores estimam que o animal atingia cerca de 1,5 a 2 metros de comprimento corporal e aproximadamente 60 a 70 cm de altura nos ombros. A morfologia endocraniana do animal apresentava grandes bulbos olfativos pedunculados, um cérebro relativamente pequeno com apenas um sulco cortical e um cerebelo volumoso, com características mais próximas às dos gliptodontes do que às dos tatus atuais. Acredita-se que Pampatherium escavava paleomasmorras e que tanto combatia quanto era predado pelo urso-de-face-curta Arctotherium angustidens nessas tocas.
Descoberta
Pampatherium humboldtii foi um dos primeiros mamíferos fósseis descritos na América do Sul. Peter Wilhelm Lund descreveu inicialmente o gênero como Chlamytherium em 1839, com base em material coletado na região de Lagoa Santa, em Minas Gerais, Brasil. Lund estabeleceu-se na pequena cidade de Lagoa Santa e dedicou anos à escavação, coleta, classificação e estudo de mais de 20.000 ossos de espécies extintas da megafauna da Era do Gelo, em cavernas da região caracterizada pela geologia cárstica.
O lectótipo da espécie é o espécime ZMK 618, uma dentária esquerda coletada na Lapa do Baú, escolhida por Cartelle em 1992 em sua tese doutoral não publicada. Ao longo dos séculos seguintes, fósseis da espécie foram encontrados em diversas localidades. No Brasil, registros da espécie foram confirmados na região de Lagoa Santa, Minas Gerais; em Jacobina, Bahia; e no Rio Madeira, Rondônia, além de ocorrências no Uruguai e na Argentina. Em trabalho mais recente, Ferreira e colaboradores descreveram um crânio parcial sem a porção rostral proveniente do Arroio Chuí, no município de Santa Vitória do Palmar, Rio Grande do Sul, depositado no Museu Coronel Tancredo Fernandes de Melo sob o número MCTFM-PV 0861, representando o primeiro registro craniano da espécie para aquele estado.
Classificação
Análises filogenéticas recentes agruparam os pampatérios com os gliptodontes no clado Glyptodonta, dentro da ordem Cingulata, embora superficialmente se assemelhem mais aos tatus. A família Pampatheriidae apresenta pouca diversidade fenotípica e é representada por sete gêneros, o que reflete uma diversidade baixa quando comparada aos 65 gêneros dos cingulados gliptodontes.
A classificação completa da espécie é: Reino Animalia, Filo Chordata, Classe Mammalia, Ordem Cingulata, Família Pampatheriidae, Gênero Pampatherium, Espécie Pampatherium humboldtii. Entre as espécies irmãs mais próximas dentro do gênero estão Pampatherium mexicanum, Pampatherium typum e Pampatherium pygmaeum. Outros gêneros de pampaterídeos do Quaternário incluem Holmesina major, Holmesina septentrionalis, Holmesina occidentalis, Holmesina paulacoutoi e Tonnicinctus mirus, com os representantes do gênero Holmesina sendo especialmente abundantes na América do Norte. Os pampatérios são amplamente distribuídos pelas Américas e estão registrados desde o Mioceno médio até o Holoceno inicial.
Dados do Megamamífero:
- Nome: Pampatherium gigante
- Nome Científico: Pampatherium humboldtii
- Época: Pleistoceno
- Local onde viveu: América do Sul
- Peso: Cerca de 210 kilogramas
- Tamanho: 0,70 metros de altura e 2,0 metros de comprimento
- Alimentação: Onívora
Classificação Científica:
- Reino: Animalia
- Filo: Chordata
- Classe: Mammalia
- Infraclasse: Placentalia
- Ordem: Cingulata
- Família: †Pampatheriidae
- Gênero: †Pampatherium
- Espécie: †Pampatherium humboldtii Lund, 1839.
Referências:
- - AMEGHINO, F. Les mammifères fossiles de l'Amérique du Sud. Paris; Buenos Aires: Masson, 1880. (Em coautoria com Paul Gervais.).
- - DANTAS, M. A. T. Estimating the body mass of the Late Pleistocene megafauna from the South America Intertropical Region and a new regression to estimate the body mass of extinct xenarthrans. Journal of South American Earth Sciences, 2022. DOI: 10.1016/j.jsames.2022.103900.
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- - FERREIRA, T. et al. Pampatherium humboldtii (Lund, 1839) (Xenarthra, Cingulata) of the Southern Brazilian Quaternary: cranial anatomy and taxonomic remarks. Revista Brasileira de Paleontologia, v. 21, n. 2, p. 158-174, 2018.
- - LUND, P. W. Blik paa Brasiliens Dyreverden för sidste Jordomvaeltning. Anden Afhandling: Pattedyrene. Det Kongelige Danske Videnskabernes Selskabs naturvidenskabelige og mathematiske Afhandlinger, v. 8, p. 61-144, 1839.
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- - TAMBUSSO, P. S.; FARIÑA, R. A. Digital endocranial cast of Pampatherium humboldtii (Xenarthra, Cingulata) from the Late Pleistocene of Uruguay. Swiss Journal of Palaeontology, v. 134, p. 109-116, 2015.
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