Atlas Virtual da Pré-História

Gigantopithecus

(Gigantopithecus blacki)

Gigantopithecus blacki - AVPH

Paleoartes:

- AVPH

Animação

Introdução

o Gigantopithecus (Gigantopithecus blacki) foi uma espécie extinta de primata de grande porte que viveu durante o Pleistoceno, aproximadamente entre 2 milhões e 300 mil anos atrás. Trata-se do maior primata conhecido que já habitou a Terra, tendo vivido em ambientes florestais do sudeste da Ásia, especialmente nas regiões que hoje correspondem ao sul da China, Vietnã e possivelmente áreas vizinhas. Sua descoberta teve grande impacto na paleoantropologia, pois revelou que primatas não humanos puderam atingir dimensões corporais extremamente elevadas.

Etimologia

O nome científico Gigantopithecus blacki deriva do grego, em que “giganto” significa “gigante” e “pithekos” significa “macaco”, fazendo referência direta ao tamanho excepcional do animal. O epíteto específico “blacki” homenageia o paleontólogo canadense Davidson Black, um dos pioneiros no estudo da evolução humana na Ásia e responsável por reconhecer a importância dos primeiros fósseis atribuídos ao gênero.

Descrição

O Gigantopithecus apresentava um corpo extremamente robusto, com proporções muito superiores às de qualquer primata atual. Estima-se que pudesse atingir cerca de 3 metros de comprimento corporal quando em posição ereta, alcançar aproximadamente 1,8 a 2 metros de altura e pesar entre 200 e 300 quilogramas. Existia um grande dimorfismo sexual nesta espécie, sendo as fêmeas bem menores que os machos, cerca da metade do tamanho e do peso. Seu crânio era grande e maciço, com mandíbulas extremamente espessas e dentes molares largos e achatados, indicando uma dieta predominantemente herbívora baseada em vegetação dura, como bambu, frutos fibrosos e raízes.

A musculatura mandibular era extremamente desenvolvida, permitindo uma mordida poderosa capaz de triturar alimentos resistentes. Embora não haja fósseis pós-cranianos completos, comparações com grandes primatas modernos sugerem que o Gigantopithecus possuía membros fortes e uma locomoção provavelmente predominantemente terrestre, adaptada à vida em florestas densas. Seu grande porte, contudo, teria limitado sua agilidade e capacidade de adaptação frente a mudanças ambientais rápidas. Foram encontrados restos fósseis de Homo erectus nos mesmos locais e datando do mesmo período de fósseis de Gigantopithecus, sugerindo que o H. erectus pode ter "ajudado" a extinguir esta gigantesca espécie. Espécimes adultos deveriam possuir poucos inimigos naturais, entretanto, espécimes jovens poderiam ser predados por tigres, pitons, crocodilos, dentes de sabre, hienas, ursos e o H. erectus.

Na China foram encontrados diversos dentes de Gigantopithecus, os quais são até moídos e vendidos como remédio em mercados. Primatas desse porte, alimentam as lendas do "Pé Grande" e do "Abominável Homem das Neves", os quais poderiam ser apenas restos fósseis desses animais ou então animais dessa espécie que sobreviveram até os dias de hoje, porém animais de grande porte como estes causariam grandes alterações ambientais que seriam facilmente identificáveis pelo homem.

Descoberta

Os primeiros fósseis de Gigantopithecus blacki foram identificados na década de 1930 a partir de dentes fossilizados encontrados em farmácias tradicionais chinesas, onde eram comercializados como “dentes de dragão”. Posteriormente, escavações científicas revelaram mandíbulas parciais e dentes adicionais em cavernas do sul da China. Até hoje, a espécie é conhecida quase exclusivamente por material dentário e mandibular, o que torna sua reconstrução anatômica um desafio, embora as dimensões desses elementos indiquem claramente seu gigantismo.

Classificação

Gigantopithecus blacki pertence ao Reino Animalia, Filo Chordata, Classe Mammalia, Ordem Primates e Família Hominidae. É geralmente considerado um grande hominídeo asiático, possivelmente relacionado aos orangotangos modernos (Pongo). Sua extinção é frequentemente associada a mudanças climáticas no Pleistoceno, redução de florestas densas e competição com outros grandes mamíferos e com populações humanas primitivas que passaram a ocupar seu ambiente.

Dados do Primata:

  • Nome: Gigantopithecus
  • Nome Científico: Gigantopithecus blacki
  • Época: Pleistoceno
  • Local onde viveu: Ásia
  • Peso: Cerca de 300 quilogramas
  • Tamanho: 2,0 metros de altura e 3,0 metros de comprimento
  • Alimentação: Herbívora

Classificação Científica:

  • Reino: Animalia
  • Filo: Chordata
  • Classe: Mammalia
  • Ordem: Primata
  • Subordem: Haplorhini
  • Família: Hominidae
  • Subfamília: Ponginae
  • Gênero:Gigantopithecus
  • Espécie:Gigantopithecus blacki von Koenigswald, 1935.

Referências:

  • - Christmas, Jane (2005-11-07). "Giant Ape lived alongside humans". McMaster University.
  • - Ciochon, R.; et al. (1996). "Dated Co-Occurrence of Homo erectus and Gigantopithecus from Tham Khuyen Cave, Vietnam". Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America 93 (7): 3016–3020.
  • - Coichon, R. (1991). "The ape that was – Asian fossils reveal humanity's giant cousin". Natural History 100: 54–62. ISSN 0028-0712.
  • - Pettifor, Eric (2000) [1995]. "From the Teeth of the Dragon: Gigantopithecus Blacki". Selected Readings in Physical Anthropology. Kendall/Hunt Publishing Company. pp. 143–149. ISBN 0-7872-7155-1.
  • - von Koenigswald, G. H. R. (1935). "Eine fossile Säugetierfauna mit Simia aus Südchina" (PDF). Proceedings of the Koninklijke Akademie van Wetenschappen te Amsterdam. 38 (8): 874–879.