Khaan
(Khaan mckennai)
Paleoartes:
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Introdução
O Khaan (Khaan mckennai) é um gênero extinto de dinossauro oviraptoríde conhecido por restos encontrados na Formação Djadochta, na Mongólia, datados do Cretáceo SuperiorCretáceo Superior, especificamente do Campaniano, entre 75 e 71 milhões de anos atrás. Apesar de não ser o maior ou o mais exuberante dos oviraptorídeos, Khaan mckennai ocupa um lugar especial na paleontologia por ter fornecido material excepcionalmente completo e preservado, incluindo dois espécimes encontrados juntos que se tornaram um dos pares de fósseis mais famosos da história da ciência. O achado contribuiu de forma significativa para a compreensão da anatomia, do comportamento e da filogenia dos oviraptorossauros do Cretáceo asiático.
Etimologia
O nome do gênero Khaan deriva da palavra mongol khaan, que significa "senhor" ou "soberano", uma referência à imponência cultural e histórica associada ao título na Mongólia, país onde os fósseis foram encontrados. O epíteto específico mckennai é uma homenagem ao paleontólogo americano Malcolm Carnegie McKenna (1930-2008), especialista em mamíferos fósseis e uma das figuras centrais da paleontologia do século XX. O nome completo pode ser traduzido livremente como "o soberano de McKenna".
Descrição
Khaan mckennai é um oviraptoríde de corpo pequeno e sem crista craniana, conhecido por material pristino coletado nos sedimentos do Cretáceo Superior da Mongólia. Os espécimes do holótipo e do parátropo mediam cerca de 1,2 metros de comprimento, sendo animais de porte relativamente pequeno dentro dos oviraptorossauros. A altura estimada ao nível do quadril ficava em torno de 40 a 50 cm, com postura bípede e erguida, típica dos terópodes. Não há estimativa de massa corporal formalmente publicada em artigo científico para a espécie. Com base nas dimensões dos espécimes conhecidos e em comparações com oviraptorídeos de porte semelhante, estima-se que o animal pesava aproximadamente 9,5 kg, o equivalente a um gato doméstico adulto de grande porte.
O crânio era curto, alto e desprovido de crista, com um bico córneo robusto e sem dentes, semelhante ao de outros oviraptorídeos. A narina externa tinha formato de fenda, característica diagnóstica da espécie que a distingue de outros oviraptorossauros como Citipati osmolskae e Conchoraptor gracilis, nos quais a narina tem aparência mais circular. A estrutura manual de Khaan distingue-se da do gênero "Ingenia" por não apresentar a expansão do terceiro metacarpal superior, o que foi determinante para seu reconhecimento como gênero independente.
Um estudo de 2014 publicado na revista Scientific Reports identificou possível dimorfismo sexual em dois espécimes de Khaan mckennai: o holótipo MPC-D 100/1127 e o espécime referido MPC-D 100/1002. Ambos tinham tamanho e constituição semelhantes, sugerindo mesma faixa etária, o que descarta explicação ontogenética para as diferenças. No holótipo, os chevrons anteriores da cauda eram similares aos de outros terópodes, sem grande expansão distal. No outro espécime, os chevrons apresentavam uma expansão em forma de "calcanhar" acima da extremidade distal, que aumentava ao longo da sequência. O estudo concluiu que as espinhas reduzidas seriam uma característica feminina, pois ampliariam o espaço para postura de ovos, enquanto as espinhas maiores do macho serviam como pontos de fixação muscular para sustentação de um leque caudal.
Uma pesquisa de 2022 sobre a força de mordida de Khaan e outros oviraptorossauros concluiu que o animal possuía força de mordida consideravelmente elevada. O estudo sugere que os oviraptorossauros eram generalistas de mordida poderosa ou especialistas que partilhavam nichos ecológicos tanto pelo tamanho corporal quanto pela função craniana, alimentando-se de vegetação mais dura ou mais variada do que outros terópodes herbívoros do mesmo ambiente, como ornitomimossauros e terizinosauros.
Em relação ao modo de vida e ao ambiente, Khaan mckennai habitava um ecossistema semiárido a árido de dunas de areia, com oásis e cursos d'água esporádicos. A Formação Djadochta preserva um habitat árido de dunas de areia, com pouca água doce além de oásis e arroios, e o clima atual nos sítios da formação difere pouco do que existia há cerca de 75 milhões de anos, exceto por ser atualmente um pouco mais frio e talvez ligeiramente mais árido. A dieta dos oviraptorídeos é tema em disputa, com plantas e moluscos sendo sugeridos. Como outros oviraptorídeos, Khaan era provavelmente ao menos parcialmente onívoro, alimentando-se de pequenos vertebrados como mamíferos e lagartos, além de possivelmente outros dinossauros pequenos. O animal era provavelmente recoberto de penas, como indicado pela evidência de integumento em oviraptorossauros aparentados. Quanto ao comportamento social, não há evidências diretas, mas a presença de dois espécimes encontrados juntos no mesmo local e a comparação com outros oviraptorídeos sugerem que a espécie podia se deslocar em pares ou em pequenos grupos.
Descoberta
O holótipo IGM 100/1127 consiste em um esqueleto quase completo, encontrado junto a outro espécime, IGM 100/1002. Os dois foram informalmente denominados "Romeu e Julieta" pelos pesquisadores, tornando-se um dos pares de fósseis mais celebrados da paleontologia. Os fósseis foram coletados no sítio de Ukhaa Tolgod, na Formação Djadochta, no deserto de Gobi, na Mongólia. Ukhaa Tolgod foi descoberto em 1993 durante uma expedição conjunta da Academia de Ciências da Mongólia e do Museu Americano de História Natural, sendo um dos sítios fossilíferos mais produtivos do Cretáceo, com excelentes condições de preservação que resultaram em numerosos espécimes quase completos e articulados.
A espécie-tipo Khaan mckennai foi formalmente descrita em 2001 por James M. Clark, Mark Norell e Rinchen Barsbold, no Journal of Vertebrate Paleontology, junto com outro novo oviraptoríde da mesma formação. Inicialmente, os restos haviam sido atribuídos ao gênero "Ingenia", mas análises posteriores revelaram diferenças suficientes na morfologia da mão para justificar a criação de um novo gênero. Um terceiro espécime consideravelmente maior, IGM 100/973, foi também referido à espécie. Em 2012, Clark e colaboradores publicaram uma osteologia completa e detalhada de Khaan mckennai no Bulletin of the American Museum of Natural History, obra de referência para o estudo dos oviraptorídes.
Classificação
Khaan foi atribuído por Clark à família Oviraptoridae. Entre os oviraptorídeos, é provavelmente mais próximo de Conchoraptor. A subfamília à qual pertence é Heyuanninae. A análise filogenética publicada por Fanti e colaboradores em 2012 confirmou o posicionamento de Khaan dentro dos Oviraptoridae, em posição relativamente basal dentro do grupo.
A classificação completa da espécie é: Reino Animalia, Filo Chordata, Classe Reptilia, Clado Dinosauria, Clado Saurischia, Clado Theropoda, Clado Oviraptorosauria, Família Oviraptoridae, Subfamília Heyuanninae, Gênero Khaan, Espécie Khaan mckennai. Entre os parentes mais próximos e mais conhecidos dentro dos Oviraptoridae estão Conchoraptor gracilis, Citipati osmolskae, Rinchenia mongoliensis e Oviraptor philoceratops, todos provenientes do Cretáceo Superior da Mongólia. Os Oviraptorosauria como grupo pertencem aos Maniraptora, clado de terópodes que inclui também os antepassados das aves modernas.
Dados do Dinossauro:
- Nome: Khaan
- Nome Científico: Khaan mckennai
- Época: Cretáceo
- Local onde viveu: Mongólia
- Peso: Cerca de 10 kilogramas
- Tamanho: 0,5 metros de altura e 1,2 metros de comprimento
- Alimentação: Onívora
Classificação Científica:
- Reino: Animalia
- Filo: Chordata
- Classe: Reptilia
- Clado: Dinosauria
- Clado: Saurischia
- Clado: Theropoda
- Clado: †Oviraptorosauria
- Família: †Oviraptoridae
- Subfamília: †Heyuanninae
- Gênero: †Khaan
- Espécie: †Khaan mckennai Clark, Norell e Barsbold, 2001.
Referências:
- - CLARK, J. M.; NORELL, M. A.; BARSBOLD, R. Two new oviraptorids (Theropoda: Oviraptorosauria), Upper Cretaceous Djadokhta Formation, Ukhaa Tolgod, Mongolia. Journal of Vertebrate Paleontology, v. 21, n. 2, p. 209-213, 2001. DOI: 10.1671/0272-4634(2001)021[0209:TNOTOU]2.0.CO;2.
- - CLARK, J. M.; NORELL, M. A.; ROWE, T. Osteology of Khaan mckennai (Oviraptorosauria: Theropoda). Bulletin of the American Museum of Natural History, n. 372, p. 1-77, 2012. DOI: 10.1206/803.1.
- - FANTI, F.; CURRIE, P. J.; BADAMGARAV, D. New specimens of Nemegtomaia from the Baruungoyot and Nemegt Formations (Late Cretaceous) of Mongolia. PLOS ONE, v. 7, n. 2, e31330, 2012. DOI: 10.1371/journal.pone.0031330.
- - MEADE, L. E.; MA, W. Cranial muscle reconstructions quantify adaptation for high bite forces in Oviraptorosauria. Scientific Reports, v. 12, n. 1, 3010, 2022. DOI: 10.1038/s41598-022-06910-4.
- - OSMÓLSKA, H.; CURRIE, P. J.; BARSBOLD, R. Oviraptorosauria. In: WEISHAMPEL, D. B.; DODSON, P.; OSMÓLSKA, H. (ed.). The Dinosauria. 2. ed. Berkeley: University of California Press, 2004. p. 165-183.
- - PERSONS IV, W. S.; FUNSTON, G. F.; CURRIE, P. J.; NORELL, M. A. A possible instance of sexual dimorphism in the tails of two oviraptorosaur dinosaurs. Scientific Reports, v. 5, 9472, 2015. DOI: 10.1038/srep09472.


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